AS FEIRAS DE NEGÓCIOS B2B E O ILUMINISMO. ESTAMOS DE VOLTA AO PASSADO?


Essa pandemia não nos fez regredir apenas alguns meses. Regredimos séculos, voltamos ao século XVIII quando se deu o início do ILUMINISMO. Penso que dá para sintetizar o conceito do iluminismo como uma atitude geral de pensamento e de ação que, através da razão, defendia maior liberdade intelectual, econômica e política. Para os iluministas o bem supremo era a Razão. Ou seja, se opunham ao absolutismo.

No Brasil algumas ações de diversos níveis de governo durante essa pandemia beiram ao absolutismo. Sem entrar em discussões políticas, das quais sempre procuro me abster, e examinando exclusivamente o setor econômico no qual atuo por várias décadas, me preocupa muito as atitudes e as decisões tomadas para a retomada do setor de eventos de negócios. Eventos de negócios não geram aglomerações, principal argumento do poder público para impedir o seu retorno.

Milhões de postos de trabalho foram suprimidos. Milhares de empresas estão já quebradas ou quebrando. Os eventos de negócios representam, no mundo inteiro, a principal alavanca da economia. Estamos vivendo uma crise de saúde que deu carona para uma crise econômica e que já mostra uma face tão cruel quanto à primeira. Creio que, se tivéssemos um painel diário mostrando em rede de TV o quanto a crise econômica mata de pessoas por dia, e ela mata, a sociedade estaria mais apavorada com ela do que com a COVID 19.

Não defendo, sob nenhuma hipótese, um relaxamento de restrições irresponsável e indiscriminado para nenhum setor econômico, nem para o qual eu trabalho. Mas temos claro, por nós, e pelas autoridades científicas nas quais apoiamos nossos estudos para o desenvolvimento de protocolos sanitários condizentes com as necessidades impostas pela pandemia, que estamos capacitados e prontos para retomar a nossa atividade. Ficar para depois de setores que, nem de longe, estão em condições de praticar rigorosos controles e monitoramento de pessoas como nós, no setor de eventos de negócios estamos, é, no mínimo, incompreensível sob qualquer argumento ou ponto de vista. Seja de saúde, seja econômico.

Regras que, para quem entende de evento de negócios, não fazem sentido, como liberar eventos corporativos que tenham apenas pessoas sentadas... Ou com ocupação de 40% da capacidade declarada enquanto convivemos com o transporte público, especialmente nos horários de pico, lotado, e anônimo (ninguém é ou pode ser monitorado nesse meio), é inaceitável.

Vou exemplificar mais detalhadamente, ou melhor, “vou desenhar” para o entendimento ficar mais simples: Vamos adotar como exemplo o planejamento que nós desenvolvemos para realizar a EXPO RETOMADA, um evento modelo, marcado inicialmente para acontecer nos dias 11 e 12 de Agosto, no São Paulo Expo, um dos mais modernos e maiores centros de eventos do Brasil, para apresentar ao mercado, ao poder público, à imprensa e aos demais formadores de opinião, todas as possibilidades de realizar eventos de negócios praticando protocolos e adotando todas as boas práticas já desenvolvidas em alguns países que já retomaram essas atividades.

A EXPO RETOMADA é uma feira de negócios e arena de conteúdo planejada para receber 2.000 convidados em dois dias de realização. Ou seja, 1.000 por dia. O horário de visitação ao evento, das 14h00 às 20h00 foi dividido em dois blocos de 3 horas cada um, com acesso de 500 pessoas no máximo em cada período, de modo que não tenhamos mais do que 500 pessoas visitando o evento em cada bloco.Isso no SÃO PAULO EXPO é nada, uma vez que o espaço tem quase 100 mil metros quadrados. Além disso, todo o credenciamento para visitação está preparado para ser realizado previamente por aplicativo de smartphone, com todas as informações demográficas do visitante. Sabemos exatamente quem ele é, o seu número de telefone, seu CPF, seu endereço, sua temperatura corporal no momento do acesso ao local da feira. Na fase pós-evento, por meio desse aplicativo poderemos, se necessário, monitorar esse público durante tempo indeterminado.

O acesso ao pavilhão se dará sem contato físico, sua circulação no recinto só poderá, obrigatoriamente, ser realizada com máscara de proteção e os atendentes nos estandes estarão não só usando as máscaras normais, como, por cima delas, uma proteção tipo “Face Shield”. O sistema desenvolvido também irá gerar, tanto para os expositores quanto para os visitantes, os chamados cartões de visitas virtuais. Não haverá troca de cartões físicos. Não haverá entrega de qualquer panfleto impresso. Toda e qualquer informação entregue deverá ser EXCLUSIVAMENTE por meio eletrônico mediante a utilização das tecnologias amplamente disponíveis.

Continuando nossos protocolos, qualquer alimentação disponível no evento só será liberada se realizada dentro de protocolos determinados pela ANVISA.

Então, apesar de todo esse rigoroso e detalhado planejamento a EXPO RETOMADA não pode ser realizada nos dias 11 e 12 de Agosto. Por quê? Porque as pessoas estariam, em alguns momentos, se deslocando entre um estande e outro e para isso, estariam em pé e a regra paulista liberou apenas eventos para pessoas sentadas.

Pensando bem, acho que nos esquecemos de planejar uma coisa: alugar ou comprar 500 cadeiras de rodas para o nosso público utilizar para participar do evento... Aí, poderia.

Deu para entender ???

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