CAUDA LONGA NAS FEIRAS DE NEGÓCIOS: VAMOS FALAR DISSO DE NOVO, ANTES QUE SEJA TARDE?

23 Mar 2020

 

Em 2014, portanto há seis anos, publiquei meu primeiro artigo com esse tema. Ele se baseava em uma extensa pesquisa realizada pela Rede Feiras com expositores e visitantes das feiras de negócios que apontava para a necessidade de “ampliar a expectativa de vida” das feiras. Em 2020, a velocidade com que as ações e os relacionamentos se propagam, a percepção de que as feiras acontecem por três ou quatros dias e depois morrem para só ressuscitar no ano seguinte é algo que, segundo a pesquisa, incomoda mais de 68% dos visitantes e 51% dos expositores.

 

Nesses seis anos pouco o mercado de feiras evoluiu nesse sentido. Alguns realizadores abriram canais de comunicação com os seus principais players – expositores e visitantes – mas realizando isso em ações ainda muito tímidas no meu entender.

 

É preciso que uma crise como essa que vivemos agora traga a percepção clara para o mundo dos eventos presenciais que nem sempre as pessoas que interessam estarão disponíveis para comparecer ao evento presencial.

 

A gente sabe que todas as tentativas já realizadas mundo afora e inclusive no Brasil de realizar feiras virtuais não teve aderência. E nem poderia ser diferente. A questão não é realizar uma feira virtual, a questão é virtualizar a feira presencial. De tal maneira que ela tenha uma cauda longa, que ela não morra no quarto dia para só ressuscitar um ano depois.

 

Ferramentas tecnológicas já bem desenvolvidas permitem que um projeto inteligente que caminhe na direção das feiras híbridas possam se tornar cada vez melhores plataformas para atender aos interesses dos expositores e também dos visitantes.

 

Alguma confusão vem sendo feita na apropriação da tecnologia nos eventos. Alguns promotores de feiras estão colocando tecnologia demais exatamente no momento no qual onde ela não só não é necessária como, na verdade, não é bem vinda, ou seja, durante a realização do evento presencial. O presencial é para o encontro das pessoas, para que elas interajam de verdade. É a hora de deixar de lado a utilização excessiva dos smartphones e assemelhados e não para convidar as pessoas a utilizá-los ainda mais intensamente.

 

O emprego bem vindo da tecnologia deve ser, principalmente, para o antes e, ainda mais, para o depois da feira. Sempre com o sentido de prolongar a ligação expositor>visitante pelo maior tempo possível. Ou seja, é a CAUDA LONGA (Long Tail, para quem assim prefere) da qual já vimos falando há tanto tempo.

 

Penso que há certa dose de perfeccionismo atrapalhando esse desenvolvimento. Muitos estão em busca do ótimo que pode estar sendo um grande inimigo do bom. Querem aplicar tecnologias como realidade virtual e outras, quando ainda nem conectam seus principais players, em um simples, útil e prático mensageiro eletrônico. Ora, do básico ao ótimo existe um imenso vazio que não vejo ninguém preenchendo. 

 

Agora, por conta da pandemia, os eventos estão "fora do ar". E se estivessem já praticando uma intensa atividade pós-feira, poderíamos dar sequência a várias oportunidades de negócios que alimentariam a economia e contribuiriam para não haver um "PARADÃO ECONÔMICO".

 

Vamos em frente, como nem tudo na vida é só bom ou só ruim, quem sabe a crise do corona não servirá de alavanca para essas necessárias inovações nesse modelo de negócios?

 

Fiquem todos bem. E , em casa.

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